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Fotos: Gio Coppi

Olá! Eu sou a Karina!

Quero me apresentar para você como profissional, mas acima de tudo, como o ser humano e a mulher que sou.

Comecei minha trajetória profissional na UFMG, no curso de Terapia Ocupacional. Mas acabei não me formando (terminar essa formação é um possível projeto futuro) e fiz reopção de curso para a Psicologia. Ali, me encontrei.

Foi durante a graduação que senti o chamado para trabalhar com mulheres. Atuei com grupos de mulheres em situação de violência e percebi que ajuda-las em seu processo de libertação era o meu propósito.

Assim que terminei a graduação na UFMG, fui fazer mestrado na UFES, que fica em Vitória/ES. Por que em Vitória? Apenas porque sou uma pessoa que ama buscar experiências totalmente novas. Nunca havia ido a Vitória, não conhecia ninguém, estava buscando um recomeço, uma mudança. Morar perto da praia é algo que me atrai muito. Fiz a prova do mestrado para Psicologia Social e passei!

Fiz o mestrado no tema de gênero, pesquisei sobre representações sociais de feminilidade analisando notícias sobre pessoas famosas. O período do mestrado foi emocionalmente carregado devido a alguns fatores (estar pela primeira vez longe de tudo, em um outro estado, a própria pressão que faz parte da vida acadêmica), mas um desses fatores foi o peso de estar em contato com a brutal violência machista expressa nos textos que eu analisei pela metodologia de análise de discurso. Me dei conta de como é infeliz a representação do feminino que paira no imaginário social!

Finalizado o mestrado, decidi voltar para BH e iniciei uma pós graduação de dois anos em Antropologia da Mulher. Uma experiência simplesmente maravilhosa, que me engrandeceu muito, como profissional e como mulher. No início, foi muito desafiador estar em contato com um conceito de "feminino" com o qual eu não tinha nenhuma familiaridade, pois meu olhar estava muito treinado para a abordagem de gênero. Tive muita resistência para assimilar conceitos nada científicos. Mas consegui me abrir para perceber que a ciência também tem suas limitações, que temos um modelo de ciência que também é muito patriarcal e que deixa pouco espaço para outras formas de conhecimento não menos legítimas e, principalmente: que o fabuloso conhecimento das nossas ancestrais foi silenciado por essa ciência e não encontrará caminhos de chegar até nós se nos mantivermos presas apenas ao que é classificado como científico.

Aprendi que toda formação também deforma, limita. Abri minha alma e coração para aprender sobre as Deusas e os arquétipos femininos, as quatro direções da roda da Vida, o feminino ancestral. Senti ainda mais forte o chamado para o quanto o feminino ancestral clama por cura! Descobri que toda a indignação que eu carregava não era apenas minha, que a cada vez que eu gritava a um homem "MACHISTA!", era a voz de mil mulheres gritando através da minha boca, era a carga de todas as minhas ancestrais e de toda a fúria contra a violência machista que elas viveram se expressando através de mim. Estava explicado: aquela indignação não era apenas minha. Era também da minha mãe, avós, bisavós, tataravós, era a raiva mais do que legítima de tudo o que elas viveram por serem mulheres. Sinto em mim a força feminina que vem dessa linhagem. E tenho a plena certeza de que curar isso não apenas em mim, mas também auxiliar outras mulheres a curar nelas essa ferida que trazemos de séculos de violência machista, é o propósito da minha alma.

Me tornei uma defensora da raiva, afinal de contas, eu tinha muita! Mas percebi que tudo o que a raiva precisa é apenas ser acolhida. Enquanto ela não é acolhida, ela berra e vocifera, bagunça, faz barulho. Mas quando ela é enxergada e acolhida, ela se acalma. Mas ainda é extremamente difícil, em nosso mundo ainda tão machista, encontrar acolhimento para nossa raiva. A raiva é um sentimento socialmente condenado, nós aprendemos a reprimi-la tanto em nós mesmas como nas outras pessoas, e principalmente nas mulheres. Tive muita dificuldade em encontrar acolhimento para toda a raiva que eu tinha. Nem mesmo em consultórios de psicologia eu encontrava esse acolhimento. Isso dificultou bastante meu processo. Eu mesma tive que aprender a acolher minha raiva sozinha, tive pouca ajuda para isso.

A fúria é necessária e ela pode ser revolucionária. Só não podemos nos deixar ser engolidas por uma raiva tóxica.

Enfim, o que fica nítido em minha história, como vocês podem perceber, é que minha trajetória profissional foi e é guiada por um propósito pessoal, por aquilo que me move e que faz sentido para mim, e é por isso que posso ter, hoje, o privilégio de dizer que sou tão feliz com meu trabalho!

Hoje, aos 35 anos, me sinto uma mulher muito bem instrumentalizada para o trabalho de auxiliar outras mulheres. Os meus estudos continuam, hoje faço formação em Psicoterapia Corporal Reichiana, mais um curso de dois anos que irá me permitir incluir o cuidado com o corpo físico em meu trabalho com mulheres. Buscar conhecimento é algo que me move.

E posso dizer que me sinto, acima de tudo, uma mulher FELIZ! Uma buscadora, lutadora, uma mulher em busca pela cura do feminino ancestral, que vive sua vida de maneira muito leal a seus propósitos e princípios. E, mais do que nunca, sou uma mulher conectada à força que vem da minha ancestralidade. E é com todas essas ferramentas que me proponho ajudar na cura dessa ferida que é de todas nós!