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Casar antes dos 30 pode ser uma forma de desperdiçar seus melhores anos

May 18, 2017

 

Antes de qualquer coisa, quero dizer que esse texto não pretende se aplicar a todas as mulheres e nem diminuir ou desconsiderar as escolhas ou vivências de nenhuma mulher. Sei bem das limitações do que vou dizer. Porém, dado que ainda temos uma cultura que incute fortemente na cabeça de meninas e mulheres que o objetivo principal da vida delas deve ser casar e ter filhos, acho importante expor as reflexões que irei escrever aqui.

 

 

Já atendi meninas na faixa dos 25 que já estão desesperadamente preocupadas com seu futuro amoroso porque ainda não encontraram “o homem de suas vidas”, mulheres na faixa dos 30 sentindo-se velhas e contentando-se com relacionamentos que não as fazem felizes pelo medo de ficar sozinhas e, pior, mulheres já casadas e altamente infelizes no casamento mas que não se separam para não ter que encarar o peso de ser uma mulher divorciada.

 

 

Sabem o que é isso? São os valores culturais sussurrando no ouvido dessas mulheres que elas não são completas se não tiverem um marido e filhos. Ninguém precisa dizer isso diretamente, e em geral não é dito mesmo. A mensagem é passada de forma sutil (e talvez ainda mais violenta por isso), através da mídia, dos conceitos associados à feminilidade, do discurso religioso, de comentários “tortos” vindos de parentes, muitas vezes das mulheres mais velhas da família - as “guardiãs dos valores da feminilidade”. Recentemente, foi publicado um intenso desabafo de Jennifer Aniston, uma atriz maravilhosa de 47 anos, sobre a pressão que ela sofre para ser mãe. Isso evidencia o quanto ainda é um peso para as mulheres a falsa ideia de que se casar e ser mãe é o destino natural de toda mulher, é o que toda mulher quer, é onde toda mulher encontra sua realização.

 

 

É uma fôrma que nos é dada, pronta. E muitas nem mesmo têm a chance de perceber que não se encaixam nessa fôrma. Passam a vida com essa sensação de desencaixe, mas nem sabem de onde isso vem.

 

 

É uma atitude de muita coragem dizer não a essas prescrições. É desafiar uma ideia que foi trabalhada em você desde antes de você saber falar (sim, já colocavam um bebê de brinquedo em seu colo antes da sua primeira palavra). É saber que vai frustrar as expectativas de pessoas que importam pra você, como sua mãe, que não se cansa de dizer o quanto gostaria que você desse a ela a alegria de ser avó (o trabalho das mulheres mais velhas como guardiãs desses valores pode ser extremamente violento, e precisamos reconhecer isso). É saber que vai ser vista, pela maioria das pessoas, como alguém infeliz. Porque a sociedade não está pronta para entender que uma mulher solteira e sem filhos está realmente feliz. Há um teatro social, um faz-de-conta onde as mulheres casadas e com filhos estão felizes, ou ao menos estão mais felizes do que as que não fizeram essa escolha. Como se a vida de mãe e esposa não fosse tão cheia de vazios existenciais quanto a vida de solteira. Como se a maternidade não trouxesse imensos conflitos internos, não envolvesse milhares de frustrações (especialmente em alguns casos).

 

 

Não quero aqui defender a ideia de que casar e ter filhos é péssimo, até porque eu ainda não passei por isso. Mas é importante desmascarar a ideia de que casar e ter filhos traz realização pra toda mulher. Muitas mulheres podem encontrar bastante felicidade nessa experiência! Mas muitas chegam aos consultórios de psicologia após 10 ou 20 anos de casamento sentindo-se frustradas, porque a realização esperada nunca veio. Foram enganadas pela ideia de que casar e ter filhos as faria feliz. Compraram um espetáculo e querem o dinheiro de volta.

 

 

Eu acho especialmente perigosa a ideia, que ainda é muito vigente, do prazo de validade feminino. E mesmo que, muito vagarosamente, esteja começando a haver alguma mudança nesse sentido, isso ainda é muito presente e é fortalecido por um discurso médico que se baseia nos valores de uma cultura onde a hierarquia sexual impera. Nenhum discurso científico está isento aos valores do meio onde é produzido.

 

 

E acho a ideia perigosa justamente porque é uma bela forma de fazer as mulheres desperdiçarem seus melhores anos. Esse é o ponto ao qual eu pretendia chegar!

 

 

É mais comum em mulheres do que em homens problemas com autoestima, autoimagem e segurança emocional. Os testes psicológicos mostram isso. Há quem prefira entender isso como um traço intrínseco às mulheres. Não vejo sentido algum nessa interpretação. Prefiro compreender como resultado de viver em uma cultura que desvaloriza sistematicamente tudo o que é associado ao feminino. Os teóricos da Psicologia do Desenvolvimento descreveram detalhadamente o que as mulheres feministas denominam como “socialização feminina”, explicando que as diferenças na criação de meninos e meninas começam desde a forma de segurar e amamentar o bebê, de lidar com os choros e as birras, de encorajar ou inibir determinadas atividades. Meninos são criados para serem mais autoconfiantes do que as meninas. Meninas são ensinadas que são emocionalmente mais frágeis e dependentes. Os cuidadores, geralmente, fazem isso sem se dar conta do tamanho do prejuízo que estão causando a suas meninas. Esse trabalho se associa às referências de feminilidade que a menina encontra a seu redor (na cultura, na mídia) e temos, como resultado, o que os testes psicológicos, assim como os consultórios, evidenciam: mulheres inseguras consigo mesmas, com sérios problemas de autoestima.

 

 

Por isso, construir uma boa autoestima, lutar pela própria segurança emocional, é um trabalho árduo para as mulheres. Mais para algumas que para outras, mas eu arriscaria dizer que para todas. Mesmo aquelas que olhamos por fora e supomos que devem ter uma autoestima maravilhosa, pois não vemos motivos para ser diferente, em geral estão travando enormes batalhas diárias em busca de se resgatar, de resgatar uma parte de si que elas nem mesmo sabem em que pedaço do caminho lhes foi tirada, e construir um autoconceito mais realista e menos contaminado por receitas prontas de como ser mulher. Muitas mulheres passam a vida em busca de liberdade para expressar o que são, pois para isso precisam, primeiro, descobrir quem são. As fôrmas nas quais foram encaixadas as fazem perder o contato com o que há dentro delas.

 

 

 

Aos 20 e poucos anos, dificilmente uma mulher já conseguiu avançar nesse trabalho. Nessa faixa etária, ainda conservamos boa dose de ingenuidade, nos colocamos em situações de risco por não saber identifica-las, permanecemos nelas por falta de autoconfiança.

 

 

Aos 30 anos, é uma outra fase.

 

 

[Relembrando que isso não vale pra todas as mulheres, e reafirmando que não desejo, de forma alguma, diminuir a vivência de nenhuma mulher! Se você é mulher e se identificar com o que vou dizer, ótimo. Se não, tudo bem também!]

 

 

Prosseguindo sobre os 30 anos, é nessa idade que começamos a realmente avançar no trabalho interno de nos resgatar, de nos construir, de fortalecer nossos pilares internos. Se o trabalho é bem feito, é nessa fase, de 30 e poucos anos, que começamos a sentir seus efeitos. A fase é geralmente propícia a isso. Estamos mais independentes, mais donas da própria vida. Podemos, sim, estar passando por problemas pesados no âmbito financeiro/familiar (é necessário evitar o risco de reproduzir discursos elitistas, que só se aplicam à mulher de classe média). Mas ainda assim, isso não anula o fato de que se o trabalho de resgate de si é bem feito, os 30 anos representam uma fase favorável para começar a colher seus frutos.

 

 

Muitas mulheres percebem, nessa idade, uma autoconfiança maior. Sexualmente, estão mais livres. Superaram, em alguma medida, as amarras da repressão sexual. Atualmente, vivemos um momento em que muitas meninas de 20 expressam uma ânsia de vencer essas amarras, se forçando a uma liberdade sexual que não corresponde ao que realmente desejam em seus íntimos. Mas essa fase é válida, e necessária! Aos 30, você chega a uma maturidade maior, onde sua seletividade está mais ativa, mas sua liberdade também. Você se permite mais, você sabe mais de si, conhece melhor suas fraquezas e fortalezas.

 

 

E é justamente nesse período que fazemos as mulheres acreditarem que estão ficando velhas!!! Que já deveriam estar casadas, que precisam, necessariamente, começar a se preocupar com filhos!

 

E quando é o momento das mulheres priorizarem a si mesmas? Quando será o momento de dedicarem suas energias a si mesmas?

 

 

Enfim, a mensagem que eu pretendo transmitir com esse texto é:

 

 

Se você é uma mulher que ainda não atingiu os 30 anos e sente-se pressionada a encontrar um marido e formar uma família, questione, do fundo do seu coração, se é isso mesmo o que a fará feliz. Não permita que te vendam ideias prontas! Quem vai arcar com as consequências das suas escolhas será você. Se você concluir que sim, ótimo, faça essa escolha! Mas faça de forma realmente consciente. E como saber se a escolha é consciente? Uma boa maneira de saber é se perguntar se a sua escolha é guiada por qualquer tipo de medo. Se a resposta for sim, repense.

 

 

Se você é uma mulher que já atingiu os 30 e se sente pressionada de alguma forma por não ter se casado e tido filhos até o momento, pense se estaria realmente feliz caso estivesse nessa situação. É difícil, mas tente não dar crédito a pressões externas. O que importa é o que vem de dentro de você. Às vezes, é tanta gente falando, que desaprendemos a identificar a voz interior. Mas tente!

 

 

E se você está mantendo um relacionamento por medo de ficar sozinha, a sugestão é a mesma do caso anterior.

 

 

E, por último... Se você é mãe e esposa (ou só mãe, ou só esposa) e está verdadeiramente feliz com sua escolha... Que ótimo!

 

 

Em todos os casos... Silenciar as vozes externas para deixar falar a voz interior é um trabalho do qual nunca devemos nos cansar.

 

 

 

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