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Não confunda ser forte com reprimir seus sentimentos

May 18, 2017

Imagine a seguinte situação:

 

Você está em um jogo onde deve abrir uma porta e, atrás dessa porta, pode ter um prêmio muito alto em dinheiro, assim como pode ter um bicho do qual você tenha muito medo. Você vai ter que arriscar. Você pode escolher apenas não abrir a porta e ir embora. Mas, se abrir, terá que arriscar se deparar com algo de que você tem muito medo.

 

O que você faria? O que você acha que uma pessoa forte e corajosa faria?

 

 

É provável que você tenha respondido que uma pessoa forte e corajosa abriria a porta e correria o risco. Pode ser que ela se desse mal, mas ela tentaria. Ela não iria embora sem saber o que havia por trás daquela porta. Ela encararia a possibilidade de estar diante de algo amedrontador.

 

Quando o assunto são os nossos sentimentos, aplicamos o raciocínio inverso.

 

Por que?

 

Vamos pensar:

 

As pessoas, em geral, chegam aos consultórios de Psicologia porque estão com alguma angústia. É muito comum chegarem com a demanda de crises de ansiedade ou de angústia, relatam um sentimento que não conseguem controlar e chegam assustadas com o que pode ser isso. É extremamente comum ouvirmos “eu não estou conseguindo ser forte, não consigo controlar esse sentimento que vem”.

 

E é aí que está a questão: “ser forte” significa, então, “controlar o sentimento”. É assim que raciocinamos. Fazendo uma analogia com nosso exemplo anterior, controlar o sentimento equivaleria a não abrir a porta. “Controlar o sentimento” equivale a não ter que encará-lo, a sair correndo dele, conseguir reprimi-lo. Abrir a porta seria o contrário, seria deixar o sentimento vir ao invés de controla-lo, enfrentar esse sentimento de frente e tentar compreender o que é que ele está querendo mostrar.

 

Crises de ansiedade ou de angústia não acontecem à toa ou por acaso. Elas acontecem para nos mostrar que algo está errado na nossa vida. Você pode passar uma vida tentando negar que há algo de errado, mas uma hora isso vai bater na sua porta, e pode ser em forma de crises incontroláveis e muito ruins.

 

 

E aí, quando a crise acontece, o que as pessoas fazem? Continuam tentando não ver o que há de errado! Querem negar esse sentimento, querem fugir dele, querem ser capazes de controla-lo. 

 

É mais fácil fugir do que ter que encarar que talvez eu precise rever como estou vivendo minha vida, mudar de estratégia, reavaliar se tenho realmente cuidado do meu bem estar, repensar se as relações que mantenho na minha vida valem realmente a pena. Rever isso pode significar reconhecer que eu me abandonei, ou que tenho vivido a vida de forma descuidada de mim, ou ter que me responsabilizar por coisas que não estou disposta, ou quem sabe sair de uma relação amorosa que me faz mal.

 

Não nos dispomos a enxergar nada disso. Não queremos ver o que há por trás da porta. Seria tão mais fácil apenas continuar mentindo pra si mesma, dizendo pra si mesma que se está feliz, quando não está.

 

Seria tão mais fácil apenas continuar vivendo de uma forma como já me habituei.

 

Seria tão mais fácil... Mas aí vem algo dentro de você e diz que não, não é possível. Você até pode continuar mentindo pra si e para os outros, fingindo felicidade, se convencendo de que sim, está tudo bem. Mas a sua sabedoria interna não permite. Ela vai querer te alertar. Ela vai gritar dentro de você e exigir que você faça algo. E sim, você pode passar anos da sua vida não dando ouvidos a isso. Mas há um preço. E o preço será ter que lidar com crises que irão sempre voltar.

 

Você até pode escolher não abrir essa porta e ir embora. Mas o bicho do qual você tem tanto medo vai continuar lá fazendo barulho, batendo nessa porta até que você abra. Você pode ignorar sempre e se convencer de que isso é ser forte.

 

Mas existe uma outra opção:

 

Abra essa porta. Encare esse bicho. Tente entender o que é que ele está querendo te mostrar, ao invés de tentar calar a boca dele. Está difícil sozinha? Procure ajuda. Os psicólogos estão aí para isso. Mas se disponha, sinceramente, a ser ajudada. Se não, apenas buscar terapia também não vai adiantar.

 

Mas há que ter muita força e coragem para isso.

 

 

 

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