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Sua vida amorosa tem sido guiada pelo medo?

May 18, 2017

 

 

 

Muito tem se falado sobre a superficialidade e a liquidez das relações nos dias atuais. Talvez isso se deva, em parte, a algumas mudanças inegáveis na forma das pessoas se relacionarem. Estamos na era dos aplicativos, em que temos acesso a verdadeiras prateleiras de seres humanos pela tela do celular. Não vou aqui entrar na qualificação disso como algo positivo ou negativo. Acho um tema complicado e ambivalente, pois ao mesmo tempo em que vemos uma coisificação das pessoas e banalização das relações nesses tempos de tinder, é possível também defender o lado positivo disso... Afinal, em tempos passados, em que as opções eram mais restritas, era muito mais comum que as relações fossem mantidas pela obrigação (especialmente para as mulheres, que se obrigavam a manter casamentos infelizes por uma vida inteira, porque o divórcio não era uma opção).

 

 

Mas algo que tem chamado minha atenção em meu trabalho clínico é a forma como as pessoas têm vivido suas vidas amorosas em modo de pânico.

 

 

É um processo natural que a gente se defenda de algo que nos machucou, tentando evitar a todo custo que aquilo que causou a dor nos atinja novamente. Isso é a base do que denominamos “comportamento de esquiva”: é quando você passa a evitar algo que já gerou na sua vida uma consequência ruim.

 

 

Junte a isso uma cultura da gourmetização da vida, da obrigação do gozo e da proibição de algo que é inerente ao ser humano: o sofrimento e a dor.

 

 

Nessa cultura, não é bem visto sofrer. Não é bem visto estar triste, ter problemas. Isso indica ser alguém “mal-resolvido”. Essa ideia de ser alguém “bem resolvido” nunca esteve tão presente, e os aplicativos e redes sociais passam, então, a ser usados com a função de mostrar uma vida perfeita. Você já deve ter ouvido que “fulana é bem resolvida”. O que significa isso? O que vem à mente quando pensamos em uma mulher bem resolvida? Ela é bonita, primeiramente? Não é carente? Não faz questão de ninguém em sua vida? Não sofre por amor? Não chora no quarto sozinha com saudade de um(a) ex-namorado(a)? Não fraqueja? Não tem medo da solidão? Que tipo de robô é esse que estamos idealizando?

 

 

 

 

Sofrer por amor não combina com ser “bem resolvida”. Tampouco se sentir insegura, ter dúvidas sobre a própria beleza, sobre o próprio valor. Sentir ciúmes muito menos. Se sentir carente, nem pensar. Tenho dúvidas se ser humana combina com ser “bem resolvida”. O resultado que vejo disso são mulheres chegando aos consultórios de psicologia pra se queixar de que a imagem de fortaleza que elas construíram pra si mesmas virou um fardo, pois é muito difícil e cansativo sustentar.

 

 

Na tentativa de se aproximar o máximo possível dessa idealização de comportamento e modo de vida, as pessoas têm se proibido de sofrer, se esquivando do sofrimento com um pânico absurdo. E com isso, muitas vezes, passam a permitir que o medo controle suas relações, evitando envolvimentos mais profundos, vivendo a vida de forma superficial, para que assim estejam protegidas da decepção.


 

Na verdade, estão fugindo de um fato que nunca conseguirão evitar: o fato de que o sofrimento é parte da vida humana, não há vida humana que não inclua uma parcela de dor. Quanto mais evitamos a dor, mais ela nos controla. É necessário aprender a abraçar a dor, aceita-la como parte do que somos.

 

 

 

Mas evitar o envolvimento emocional, fugindo de relacionamentos e mostrando um comportamento mais superficial na vida amorosa não é a única maneira de deixar o medo tomar conta.

 

 

Há pessoas que fazem exatamente o contrário: na ilusão de que encontrar alguém irá suprir todas as suas faltas, essas pessoas “se jogam” além da conta nos envolvimentos afetivos. Querem, de qualquer maneira, que alguém ocupe esse vazio que é inerente a todos nós. Por questões históricas e culturais, esse comportamento é mais comumente observado em mulheres do que em homens. No desespero emocional por preencher o vazio em si mesmas, elas acabam se contentando com o mínimo que o outro oferece, sem se dar conta de que mereciam muito mais.

 

 

 

Identificamos facilmente a insegurança nesse tipo de comportamento. Mas não podemos esquecer que o comportamento emocionalmente frio* também pode esconder um poço de medos e inseguranças. A diferença é que enquanto um fecha a porta do coração pra não ter que se machucar, o outro deixa a porta escancarada demais.

 

 

Como em todas as áreas da vida, o equilíbrio é difícil de ser alcançado, mas é o melhor caminho. Fechar a porta do coração pra não se machucar pode ser necessário e útil em alguns momentos, mas é um modo de viver superficialmente, evitando suas próprias emoções. Em última instância, isso é evitar a si mesma. Abrir a porta do coração a qualquer pessoa, perdendo a noção dos próprios critérios, agindo como uma menina ingênua que se encanta com qualquer migalha que o outro oferece também não é nada saudável em uma mulher adulta e pode te levar a se machucar cada vez mais, e cada vez mais diminuir seus parâmetros em relação ao que esperar do outro.

 

 

 

Algum grau de auto proteção é altamente necessário. Portanto, feche a porta sim. Mas guarde a chave sempre à mão. Essa chave é sua, não entregue a ninguém. E saiba usá-la na hora certa. Pode parecer complicado, mas é só uma questão de se apropriar de si mesma.

 

 

 

 

 

 

*Não confunda comportamento frio com comportamento abusivo. Pessoas inseguras podem se tornar abusivas em um relacionamento amoroso - especialmente homens, por terem sempre à mão o privilégio masculino na hora de produzir sintomas que lhe permitam lidar com suas questões emocionais.

 

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