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A negação que impede o verdadeiro despertar feminino

November 6, 2019

 

 

 

Não somente em minha prática clínica, como em minha vida, tenho me dado conta do quanto nós, mulheres, estamos desacordadas em relação ao que significa o fato de vivermos em uma cultura patriarcal, os efeitos que isso tem em nossa subjetividade, assim como a potência que carregamos para resistirmos e existirmos com plenitude.

 

 

 

Dizer que vivemos em um mundo machista, com séculos de história patriarcal e que isso influencia nossas experiências tem um significado muito profundo. As formas mais violentas com que o machismo atua em nossas vidas são sutis. A questão não é que é chato ter que ouvir uma cantada qualquer de um desconhecido na rua. A questão não é apenas sobre ter que engolir a injustiça de um salário desigual. A questão também não são os altos índices de feminicídio, para os quais você talvez nem se atente tanto. A questão é que tudo o que você deseja, o que você sonha pra sua vida, tudo que você come, tudo que você assiste, o que você veste, o que você pensa de si mesma, seus hábitos, padrões e desejos mais profundos, TUDO ISSO está nas mãos de homens.

 


 

Vivemos em um patriarcado capitalista, onde nossas possibilidades de escolha são comandadas pelas indústrias mais poderosas desse sistema. Da indústria alimentícia à farmacêutica, até às grandes instituições - como as instituições religiosas, educacionais e o Estado - somos sutil e poderosamente comandados em relação ao que escolhemos comer, o que desejamos comprar, o que aprendemos, o que estudamos, em que acreditamos. Claro que não são apenas as mulheres que são dominadas por esse sistema, os homens também têm suas experiências determinadas pelas instituições que controlam nossa vida. A questão é que tudo isso se torna mais violento para nós, se pensarmos que ser mulher em um sistema patriarcal capitalista significa tentar sobreviver em um mundo feito, pensado e comandado por homens. São eles que estão nos cargos de poder, tomando todas as decisões que impactam nossa vida, subjetividade e cotidiano.

 

 

 

A nossa energia vital acaba sendo gasta em tentar sobreviver de forma saudável a este mundo de desigualdades. Gastamos uma quantidade enorme de energia apenas tentando desenvolver uma relação de amor com nosso corpo, que a mídia, tão poderosa, nos ensina todos os dias a odiar e achar feio. Dedicamos muita energia tentando manter nossa saúde mental em um mundo de tanta violência.

 

 

 
 

Sobra pouca - ou quase nenhuma - energia para nos conectarmos com nossa força. Tornamos-nos pessoas profundamente inconscientes do poder que nosso corpo carrega, do tamanho da potência que existe na nossa energia feminina.

 


 

Nosso ciclo, aprendemos a odiar e a controlar com medicamentos e hormônios. Aprendemos que nossa ciclicidade é fraqueza, pois nos faz instáveis ou emocionais demais. Aí começa tudo: perdemos a conexão com a beleza e a força de ser mulher. Sequelas de séculos de uma ciência patriarcal de onde nasceu a medicina. Uma ciência masculinista impregnada por discursos de homens tentando definir o corpo, a psique e a existência da mulher. Ainda estamos dependentes desses discursos para nos definir. Na Psicologia, o que vejo é uma tentativa sempre incompleta de enquadrar mulheres em teorias elaboradas por homens, teorias essas que desconhecem e desrespeitam as singularidades de um ser que é muitos em um e não cabe em rotulações, já que nossa personalidade flutua largamente ao longo de um mês.

 

 

 

Nosso corpo, aprendemos que é inadequado. Vivemos uma busca sem fim por um corpo que nos disseram que é o ideal, porque agrada mais aos olhares masculinos. Introjetamos a ideia de que existimos para tornar o mundo mais agradável para os homens, e deixamos nas mãos – ou na boca - de homens o que pensamos de nós mesmas. Buscamos o corpo ideal ao mesmo tempo em que nos maltratamos escolhendo alimentos viciantes, pois estão mais facilmente acessíveis.

 

 

 

Acreditamos na historinha pra boi dormir que nos contaram sobre sermos inferiores, frágeis e menos capazes. Acreditamos tanto que repassamos essas historinhas como discos quebrados para os meninos e meninas, através de ensinamentos, comentários, brincadeiras.

 


 

O tempo e energia que poderíamos estar dedicando a desenvolver nossa potência e devolvê-la para o mundo em forma de ação, perdemos tentando reaprender a nos amar. Porque isso nos foi tirado.

 


 

É hora de começar a construir um novo caminho.

 


 

A consciência da potência e força interna que carregamos só virá através de uma profunda tomada de consciência das forças externas que nos cerceiam. Enquanto não nos conscientizarmos disso, negando as sutis violências a que estamos submetidas, não nos daremos conta do que essas violências silenciam dentro de nós. Pois a profundidade em que atua esse silenciamento é proporcional à profundidade da nossa força. Eis porque ambos são ainda tão misteriosos para nós.

 


 

O despertar precisa ser completo.

 

 

 

Desperte!

 

 

 

 

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